A Lasanha de Salmão com Algas do Chef Luís Francisco Lobão (Segredos da Avó)

Lasanha de salmão com algasINGREDIENTES

220g de farinha de trigo
2 ovos (100g)
2 colheres de sopa de tinta de choco
400g de salmão em posta
10g de algas secas
100g de cebola em pétalas
100g de pão fresco ralado
100g de queijo ralado
200g de tomate pelado
50g de azeite
1 colher de sopa de funcho
Sal e pimenta
Funcho e salsa q.b.

PREPARAÇÃO

Para a massa mistura-se a farinha com os ovos, uma pitada de sal fino e a tinta de choco até obter uma massa lisa e dura. Deixa-se descansar cerca de 20 minutos num saco de plástico.

Prepara-se um caldo com o salmão que se coze com água, sal, funcho, pimenta e talos de salsa. Deixa-se ferver por apenas 5 minutos. Retira-se o peixe e tiram-se as espinhas que se aproveitam para colocar novamente no caldo e fazer ferver por mais 15 minutos. No fim côa-se e reserva-se.

Hidratam-se as algas e reservam-se.

Prepara-se um refogado com a cebola, o tomate e o azeite ao qual se juntam as algas. Deixa-se cozinhar e por fim junta-se o peixe. Polvilha-se com pão para engrossar o molho e reserva-se a mistura.

Aquece-se o caldo coado.

Estende-se a massa com ajuda de uma máquina e corta-se em folhas que se cozem durante 1 minuto no caldo aquecido. Retiram-se as folhas de massa para um prato que possa ir ao forno e intercalam-se com o molho como recheio.

Termina com queijo ralado e leva-se ao forno a gratinar cerca de 20 minutos, ou até obter uma cor desejada.

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Algas Comestíveis/Edible seaweed

Existem cerca de 10.000 espécies de macroalgas divididas em 3 grandes grupos: castanhas (Ochrophyta), verdes (Chlorophyta) e vermelhas (Rhodophyta), de acordo com os pigmentos fotossintéticos e a composição química. Algumas macroalgas crescem mais de 50cm por dia, chegando a atingir mais de 60m de comprimento, outras só crescem alguns centímetros por ano. A distribuição e abundância das espécies são condicionadas por vários fatores ambientais e fatores biológicos como a resistência a predadores e a competição entre espécies por recursos essenciais. As diferentes estratégias de adaptação das macroalgas a estes fatores são facilmente visíveis na elevada diversidade de tamanho, forma, cor e textura existente entre espécies e até mesmo dentro da mesma espécie. algaplus_algas_tokdemarThere are approximately 10.000 species of seaweed divided into 3 large groups: brown (Ochrophyta), green (Chlorophyta) and red (Rhodophyta), according to the photosynthetic pigments and chemical composition. Some seaweed grow more than 50cm per day, until 60m long, while others only grow a few centimeters a year. The distribution and abundance of species are conditioned by several environmental and biological factors, such as the resistance to predators and competition between species for essential resources. The different strategies of adjustment to these factors are easily seen in the high diversity of size, shape, colour and texture between species and even between specimens in the same species. 

As macroalgas têm sido utilizadas desde a antiguidade como alimento e medicamento. O registo mais antigo data de 12100 AC no Chile. Nos países ocidentais, o interesse das macroalgas na alimentação humana tem vindo a aumentar, principalmente devido à tendência para a utilização e consumo de produtos 100% naturais e ao reconhecimento das suas propriedades nutricionais (proteínas, fibras, vitaminas, ácidos gordos insaturados, minerais) e nutracêuticas (e.g. anti-oxidante, anti-colesterol). Na Europa a legislação (EC258/97) restringe a utilização generalizada de macroalgas na alimentação humana e animal, admitindo apenas 22 espécies como comestíveis. No entanto, não há registos de algas tóxicas para consumo humano (só algumas com sabor muito amargo!). Noutras partes do mundo, há muitas outras espécies que entram na dieta das populações e que podem mesmo ser encontradas em alguns pontos de venda na Europa (p.e. a Codium spp. Caulerpa spp., Hizikia fusiformis, Macrocystis pyrifera)Seaweed have been used since ancient times as food and medicament. The oldest evidence dates from 12100 AC in Chile. In occidental countries the interest in seaweed for food consumption has been increasing, mostly due to a tendency to consume and use natural products and the recognition of their nutritional (proteins, fibres, vitamins, polyunsaturated fatty acids, minerals) and nutraceutical (e.g. anti oxidant, anti cholesterol) properties. In Europe legislation (EC258/97) restrains the general use of seaweed for human and animal food consumption, accepting only about 22 species as edible.  However, there is no record of toxic species for human consumption (only a few can have a more bitter taste!). In reality, in other parts of the world there are several other species that are regularly consumed and can even be found in some European food-shops (e.g. Codium spp. ,Caulerpa spp., Hizikia fusiformis, Macrocystis pyrifera).

A extracção de ficocolóides (fico=alga + colóide=gel) a nível industrial é um sector muito importante da aplicação das algas. Os alginatos (algas castanhas), os carraginatos e o agar (algas vermelhas) são dos agentes estruturantes e/ou texturizantes mais explorados para várias aplicações na indústria alimentar, cosmética, biomedicina, farmacêutica, entre outras. Os produtos que apresentem os códigos E400 a E407 têm na sua composição estes ficocolóides (e.g. pasta de dentes, gelatina). The extraction of phycocolloids (phyco=seaweed + colloid=gel) in industrial business is a very important application of seaweed. Alginates (brown seaweed), carrageenans and agar (red seaweed) are the most explored structuring and/or texturizing agents for several applications in industries such as food, cosmetic, biomedical, pharmaceutics, among others. Products that present the codes E400 to E407 have in their compositions these phycocolloids (e.g. tooth paste, jelly). 

Em baixo segue a lista atual das espécies de algas consideradas comestíveis na Europa (www.ceva,fr) por nome científico e comumPlease find below the current list for the seaweed species considered as edible in Europe (www.ceva.fr) by scientific and common name

CASTANHAS BROWN

Alaria esculentaWakame atlântico, Wing kelp, Dabberlocks

Ascophyllum nodosumLimo-de-nós, Rockweed, Egg wrack

Fucus vesiculosusBladder wrack

Fucus spiralisBodelha, Botelho, Fava-do-Mar, Spiral wrack

Himanthalia elongata Esparguete-do-Mar, Sea spaghetti

Laminaria digitata –  Kombu, Kelp

Laminaria japonica/Saccharina japonicaSea tangle, Kombu, Japanese kelp

Saccharina latissima Sugar kelp, Royal kombu

Undaria pinnatifida –  Wakame, Kelp

 VERDES GREEN

Enteromorpha spp. – Erva-patinha verde, Fitas-verdes, Gut laver, Aonori

Ulva spp.  – Alface-do-mar, Sea lettuce

 VERMELHAS RED

Chondrus crispusMusgo-irlandês, Lichen, Irish moss

Gracilaria verrucosa –  Cabelo-de-velha, Ogonori

Lithothamnium calcareum –  Maerl

Mastocarpus stellatus –  Falso Musgo-irlandês, False Irish moss

Palmaria palmataBotelho-comprido, Dulse

Porphyra spp. (umbilicalis, tenera, yezoensis, dioica, purpurea, laciniata, leucosticta)  – Erva-patinha, Nori Atlântico, Nori, Atlantic Nori, Laver

Apesar de não fazer parte parte da lista do “Centre d´Étude et Valorisation des Algues”, a espécie Osmundea pinnatifida ou Erva-malagueta tem um histórico considerável de consumo nos Açores e outras partes da Europa, onde são um aperitivo muito apreciado. Although it doesn´t make part of list produced by the “Centre d´Étude et Valorisation des Algues”, Osmundea pinnatifida or Pepper dulse, has a considerable historic consumption in the Açores and other parts of Europe where it´s a much appreciated snack.  

Crepe de Erva-patinha com camarão/Atlantic nori crêpe with prawns

INGREDIENTES INGREDIENTS

6 camarões médios, cozidos e cortados medium sized cooked prawns, shelled and cubed

3 ovos eggs

3 colheres de sopa de farinha tablespoons of white flour

5g de erva-patinha em flocos of atlantic nori in flakes

80ml de água of water

25g de manteiga of butter

sal e flor de sal com erva-patinha salt and flower of salt with atlantic nori

PREPARAÇÃO PREPARATION

Mexa os ovos com o sal e junte a farinha, a erva-patinha e a água. Bata até ficar líquido e homogéneo. Stir the eggs with salt and add flour, atlantic nori and water. Beat well until it is liquid.

Coloque a manteiga numa frigideira e adicione uma porção da mistura. Cozinhe durante 1 minuto e adicione alguns camarões. Add butter to the pan and a portion of the egg mixture. Cook for about 1 minute and put some prawns on top.

Volte os bordos do crepe sobre os camarões e vire até estar cozinhado. Sirva quente, acompanhado de uma salada temperada com a nossa flor de sal. Roll the crepe edges ovem the prawns and flip them until the centre is fully cooked. Serve hot, garnish with green salad seasoned with our flower of salt.

Receita e imagem retiradas de “Prannie Rhatigan´s Irish Seaweed Kitchen”  Recipe and photo taken from “Prannie Rhatigan´s Irish Seaweed Kitchen”

Algas. O que são?/Seaweed. What are they?

Alga na praiaAlguém que tenha ido à praia, pelo menos uma vez na vida, já teve oportunidade de ver macroalgas. De uma forma mais ou menos agradável, são um elemento constante na costa. Mas o que são macroalgas (ou algas) para além do que vemos a boiar na água ou em putrefação à beira-mar? As algas são seres vivos fotossintéticos capazes de produzir biomassa a partir da energia solar e de nutrientes inorgânicos, como o dióxido de carbono (CO2), azoto (N) e fósforo (P), entre muitos outros. A grande maioria das espécies é marinha e podem ser consideradas como vegetais marinhos. É isso mesmo! As algas são comestíveis e oferecem uma grande variedade de minerais (contêm 10-20 vezes maior concentração do que os vegetais terrestes) como magnésio, fósforo, cálcio, potássio, ferro, zinco, iodo, selénio e manganês. Com baixo teor calórico, são ainda fonte de fibra, proteína, múltiplas vitaminas (A, C, D, B9, B12, E), ácidos gordos poli-insaturados (os ómegas) e algumas de betacaroteno. Não se conhecem atualmente algas tóxicas ou venenosas, o que não significa que todas sejam comestíveis e que seja seguro colhê-las da praia. Das mais de 10.000 espécies, apenas cerca de 20 são consideradas para consumo humano na Europa e, tal como um vegetal terreste, é preciso saber reconhecer o seu grau de frescura. Quando estas dão à costa é difícil de determinar há quanto tempo estão neste estado e devemos sempre ter em atenção a qualidade da água onde crescem.

Anyone who has ever gone to the beach at least once in your lives, has had the opportunity to look at seaweed. In a more or less pleasant way they are a constant element in coastline. But what are seaweed, beyond what we see floating in the water or decaying along the beach? Seaweed are photosynthetic organisms capable of producing biomass from solar energy and inorganic nutrients, such as carbon dioxide (CO2), nitrogen (N) and phosphorus (P), among many others. The vast majority of species is marine and can be considered as sea vegetables. That´s right! Seaweed are edible and offer a great variety of minerals (containing 10-20 times the mineral concentration of land plants) such as magnesium, phosphorus, calcium, potassium, iron, zinc, iodine, selenium and manganese. Being low on calories, seaweed are also a great source for getting your fiber, protein, multiple vitamins (A, C, D, B9, B12, E), polyunsaturated fatty acids (omegas) and, from some of them, even beta-carotene. There are no toxic or poisonous seaweed known, which doesn´t mean that all are edible and it is safe to harvest them from the beach. Of the more than 10,000 species only about 20 are legal for human consumption in Europe, and as for any land-originated vegetable, one must know how to recognize their freshness. When seaweed lie ashore is difficult to determine how long they are in this state as well as the water quality where they are growing.